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Diagnóstico precoce da esquizofrenia - Psicólogo Bruno Moraes - 1197767-3363

Brasileiros desenvolvem sistema que pode descobrir esquizofrenia pela fala

A maneira como uma história é narrada sempre fez parte do diagnóstico da esquizofrenia. Pessoas que têm o transtorno mental têm dificuldades em contar algo de forma organizada, e a fala, por vezes, é caracterizada como um “descarrilhamento”, tal qual os trilhos de um trem. A partir da análise dessas narrações, um software desenvolvido por pesquisadores brasileiros poderá ajudar, no futuro, no diagnóstico precoce da condição, favorecendo o controle dos sintomas e a melhora na qualidade de vida.

Idealizado por pesquisadores da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), o sistema —chamado de SpeechGraph— analisa um relato espontâneo, como a descrição de um sonho, por exemplo, e traduz a sequência de palavras em representações gráficas por meio da entidade matemática Graph. Nela, as palavras se transformam em pontos ou nós, e há linhas que demonstram a relação entre elas.

“Conseguimos traçar essa trajetória de palavras de forma que é possível ver o quanto uma pessoa, ao contar uma história, conhece todas as palavras que ela usou. Como cada unidade é uma palavra diferente, é possível medir o quanto o discurso é conectado ou o quanto a fala se liga entre si, entre todas as palavras usadas na narrativa”, explica Natalia Bezerra Mota, psiquiatra e neurocientista, uma das autoras da pesquisa, professora do Instituto de Psiquiatria da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e doutora pela UFRN, onde o estudo foi desenvolvido.

Para confirmar que essa análise contribuiria com o diagnóstico do transtorno, os pesquisadores compararam a fala de pessoas portadoras de esquizofrenia com outros transtornos do humor, além de indivíduos saudáveis. Ao alimentarem o algoritmo computacional com as características das falas/relatos e grafos, o sistema foi capaz de classificar as informações dos diferentes grupos com mais de 90% de precisão. De acordo com Mota, isso foi visto tanto em pessoas que conviviam há muito tempo com a condição (de forma crônica) quanto em quem estava no início dos sintomas.

“Hoje sabemos que, quanto mais cedo é feito o diagnóstico, menos tempo a pessoa passa com os sintomas positivos, ouvindo vozes, tendo ideias delirantes, o que contribui também para a cognição. Ao invés de a pessoa usar três ou quatro medicações, quando há poucos meses de evolução da esquizofrenia pode-se iniciar com uma dose menor. São oportunidades de que os tratamentos sejam melhor tolerados, e que a pessoa planeje a reabilitação e os cuidados com a cognição”, explica a especialista.

O sistema, no entanto, não vai substituir a presença do médico psiquiatra e demais membros da equipe de saúde, segundo Mota. “A ideia é que seja um exame complementar. Hoje, nos melhores centros, demora cerca de dois anos para fechar um diagnóstico. Mas, se em uma primeira avaliação, o psiquiatra tiver disponível cinco minutos de fala do paciente, em uma interação totalmente não invasiva, poderia fazer essa hipótese diagnóstica com mais precisão”, argumenta.

 

Fala também pode sinalizar demências e TDAH

A identificação de sinais de alerta na fala também poderia contribuir com o diagnóstico de outras condições, de acordo com Mota, como o Alzheimer ou o TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) em adultos. “São marcadores um pouco diferentes, e vemos cair também um pouco o nível de conectividade [entre as palavras]. Não nos mesmos níveis que na psicose, é mais sutil, mas se encontram outros marcadores, usando a matemática de Graph”, afirma.

Para aumentar a precisão, tanto para a esquizofrenia quanto para outras doenças, a especialista destaca a importância em caracterizar os comportamentos vistos como típicos, além da influência socioeconômica. Isso porque a linguagem é impactada pelo transtorno mental, mas também pelo nível educacional. “A fase que nos encontramos agora é de entender todos os outros contextos e variáveis que podem implicar no comportamento humano. Fizemos uma linha de pesquisa sobre educação, e vimos que essas medidas da forma do pensamento se alteram com o nível escolar também.”

Outro fator em análise é a representatividade linguística, além de cultural. Para isso, o comitê internacional Discourse in Psychosis, com cerca de 150 pesquisadores, faz a coleta das mesmas narrativas de pacientes com e sem o diagnóstico, em diferentes países. “Montamos um protocolo simples, de 20 minutos com diferentes narrativas, em que vamos comparar e ver: será que o marcador de um paciente no Brasil é o mesmo do paciente em algum país na África?”, explica.

 

Por que a esquizofrenia afeta a fala?

As causas da esquizofrenia ainda não são claras, mas alguns pesquisadores tentam entender como o transtorno desencadeia os sintomas. Daniel Martins-de-Souza, professor de bioquímica e chefe do Laboratório de Neuroproteômica da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), é um deles.

Segundo Souza, os pesquisadores que estudam a condição normalmente analisam os neurônios, células mais conhecidas do cérebro, mas a origem da esquizofrenia pode não estar nelas. “Acreditávamos que a glia [tipos celulares presentes no sistema nervoso central] eram células cerebrais que apenas serviam de suporte físico aos neurônios, no entanto têm outro papel também. Elas fornecem energia e criam um ambiente favorável ao funcionamento dos neurônios”, explica.

Uma das células da glia é também responsável por encapar o braço do neurônio, ou a bainha de mielina, por onde passam os impulsos elétricos que fazem com que eles conversem. “Na esquizofrenia, acreditamos que as pessoas têm um problema com essa célula, e isso gera duas questões: os fios não são encapados de maneira apropriada, e os neurônios não conversam direito. Eles transmitem um impulso elétrico, mas escapa. Isso vai em linha com a desconectividade cerebral, que gera uma confusão na fala e uma desorganização dos pensamentos”, explica o especialista.

 

Outros sintomas e terapias

Além da classificação como um transtorno mental, a esquizofrenia pode ser explicada como uma quebra com a realidade, de acordo com Karina Diniz Oliveira, psiquiatra superintendente do Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira e professora do departamento de psiquiatria da Unicamp. Isso porque os delírios e as alucinações fazem parte da lista de sintomas chamados de positivos, sendo as mais comuns as auditivas.

“Pode ter a olfativa também e, bem mais raro, a visual. Na alucinação auditiva, a pessoa escuta vozes que conversam entre si e comentam as ações do indivíduo. Há ainda a transmissão de pensamento, em que a pessoa acredita que outros conseguem ler o pensamento dela”, explica a especialista.

Há também os sintomas negativos, que são os que mais atrapalham a funcionalidade e a convivência da pessoa com o transtorno. “O afeto fica distanciado, perde a capacidade de querer, de gostar e de se organizar. É chamado de ‘perda do pragmatismo’, e isso faz com que o tom de voz e o tipo de discurso seja prejudicado”, detalha Oliveira.

Em geral, a condição tende a surgir ao fim da adolescência e início da idade adulta, entre 19 e 20 anos de idade. “Há um fator genético, mas ela é multifatorial. Populações migratórias, por exemplo, têm maior prevalência, e alguns estudos associam infecções virais durante a gestação com o desenvolvimento no futuro”, explica a especialista.

Os sintomas e a evolução do quadro fecham o diagnóstico e, uma vez identificado o transtorno, o indivíduo pode receber medicamentos antipsicóticos, mas também terapias não medicamentosas, como psicoterapia, terapia ocupacional e reabilitação psicossocial.

 

Impacto social

Como os sintomas “assustam” quem não tem familiaridade com a esquizofrenia, é comum que a pessoa portadora da condição se sinta sozinha e afastada da sociedade. Embora o desenvolvimento tecnológico que favoreça o diagnóstico e o tratamento seja importante, a psiquiatra e psicodramatista Ana Maria Coelho Marques ressalta um avanço ainda mais urgente: a quebra dos preconceitos.

“Primeiro temos que desmanchar em nós mesmos os preconceitos, e isso é ainda muito pouco conversado ou mostrado em sociedade. Não adianta fazermos de conta que sabemos lidar com a pessoa portadora de esquizofrenia ou que os aceitamos se você não consegue os enxergar enquanto pessoa, ou enquanto você só vir o diagnóstico”, explica a médica, que também é presidente do Instituto Silvério de Almeida Tundis, Organização da Sociedade Civil, localizada em Manaus (AM), que ajuda pessoas em situação de exclusão e vulnerabilidade psicossocial.

 

Fonte: UOL

 

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Dr. Bruno Moraes

O psicólogo Bruno Moraes atua a mais de 7 anos no atendimento presencial e online de crianças, jovens e adultos. Trabalha com abordagem TCC, ou Cognitivo Comportamental e é pós-graduado em Neuropsicologia pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

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